sábado, dezembro 30, 2006


Ruas negras rasgam a cidade
E minhas carnes moles
Sinto a civilidade rasgar minhas veias
E o alcatrão tomar meus olhos
Presos no horizonte,
Corre por minha cintura a avenida
Carros transitam pelas vicinais
Sou o cúmulo do excesso
Sou o túmulo de concreto.

Larissa Marques (índice de posts dos outros contribuidores)

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quinta-feira, dezembro 28, 2006

A solidão não é só




"Antes só do que mal acompanhado"

No mínimo, um infame ditado...

Pois a solidão nunca me é só,

Ela me vem sempre mal acompanhada


Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

terça-feira, dezembro 26, 2006


Uma lágrima de compreensão desce frágil
Do lado esquerdo do rosto
Silenciosa, relutante e aflita.
Percorrera a face rosada
Que ainda inconformada
É tomada pelo rubor.
Cansada pousa ali
Até que outras venham ao seu encontro,
Para dar-te força,
Dar-te profundidade,
Dar-te compreensão.
Até que pesem o bastante,
E caiam,
Como as verdades reunidas,
Na aceitação do inevitável.


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quinta-feira, dezembro 21, 2006

O Mundo Queima

O mundo queima
Mas todos estão frios
O aquecimento é global
Mas o coração humano é cada vez mais
Distante e vazio.

Rimos diante do abismo
Dançamos com o diabo e bebemos vinho
Tudo se recicla, nada se renova
E o lixo se acumula debaixo
Do tapete da terra e das almas.

Carros velozes, trânsito parado
Cada semana um novo messias tarado
Vendedores de felicidade, escritores de sucesso
Ensinam o que não sabem sobre Deus, amor e sexo.

Vivemos para comer, morremos de fome
Dietas e drogas escravizam o homem
A mulher do futuro é um travesti
Na ditadura das lipos e do
Silicone.

Ser é consumir e ostentar
Um belo sorriso de ofuscar
Parar a roda do tempo
mesmo que o preço seja
ver o mundo morrer.
E a vida murchar.


Alexandre Giannini (índice de posts dos outros contribuidores)

terça-feira, dezembro 19, 2006

A dívida do fruto

Essa peste, que apodrece
...............As frutas impotentes,
É também disseminadora
...............De suas sementes,
.................................então
Me desapeteça, ávida vida!

Pois se das frutas
...............Você é a cessante,
É porque não lhe cabe
...............Seus sabores,
..................................essa dádiva
Só cabe aos amantes


Logo a dívida do fruto
...............Não é pela peste
E sim pelas sementes suas,
...............Com sua matéria
..................................a fertilizar
Essa vasta Terra nua...


Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)
E contribuição de Leonardo Santos.

Imagem: Natureza Viva - Daniela Macri
Mais fotos em: http://www.olhares.com/utilizadores/detalhes.php?id=26110

A dança da vida
É tão certa
Um pra lá
Um pra cá...
No compasso de dueto
Dois pra lá
Dois pra cá...
Deslumbram-se...
Amam-se...
Dois pra lá
Dois pra cá
Sonham
Vivem
Dois pra lá
Dois pra cá
Mas caem
E levantam
Dois pra lá
Dois pra cá
E assim vão dançando...
Amando pra desamar,
Sonhando pra acordar,
Vivendo pra morrer...
E continua a dança...
Um pra lá
Um pra cá
Sempre, sem parar.

Larissa Marques (índice de posts dos outros contribuidores)

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domingo, dezembro 17, 2006

Compromisso


Nestes dias de medo e distância
Quando tudo é dormente no ser
Ninguém quer aceitar a mudança
Ninguém quer a inércia vencer

Passam-se os dias, inúteis, com diplomas do que não sabemos fazer
Nada nos preparou para a vida, nada nos faz amar e crescer
Se hoje o Messias viesse, e entrasse na grande rede digital
E anunciasse o fim, todo mundo acharia banal

Já sabemos tudo, mas não fazemos nada
Sem sabedoria e humildade, tudo é vaidade
E a cada dia nasce uma nova geração
De doentes da alma e do coração

Tudo o que se quer é falar de si
Esquecer do mundo que chora logo ali
Ignorar as leis naturais
Errar mais do que se é capaz

Escute, amigo é preciso compromisso
É preciso acordar e parar o mundo
Pra recomeçar e entender que só juntos vamos vencer!
Deus, amor, união...

Alexandre Giannini (índice de posts dos outros contribuidores)

terça-feira, dezembro 12, 2006

No escuro de si






Cerrando esses olhos cansados
Só resta o escuro, se faz pleno!
Tal esse que me toca tão ameno,

Posto que se ao invés do breu,
A luz sob essa casca, a verdade,
Revelasse-me nu, cru em mim,
Não restaria nenhuma sanidade
Na minha falsa-belo vida-jardim

E tendo o pesar maior que mundo,
Doloroso reconhecer(-se),
Cedo em desespero, em medo,
Na proeza de fugir de si mesmo,
Pois é menos árduo compadecer
Com toda humanidade do que
Admitir-se em plena vontade

Então deixe-me nesse repouso
Teimoso e irrefutável
E já não durmo, vou além, hiberno!
E o cotidiano-travesseiro moderno
Não me é duro, me é bem confortável!



Selecione o texto!


Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

Créditos da imagem: causafilosofica.blogs.sapo.pt

sábado, dezembro 09, 2006


Ama-me sem pudor
Enquanto ainda houver amor
Enquanto nos queimar a chama
Ama-me sem pudor

E quando não houver mais amor
Deixe a brasa nos consumir
E se ela se apagar
Ama-me pra se despedir.

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sexta-feira, dezembro 08, 2006

Do nada à Fernanda

Eu tinha
NADA
Mas a vida se rearruma, ela sempre
ANDA
E do mesmo Nada inicial
Somou-se uma letra ao início
NANDA
E com ela redescobri a de viver
FÉ NANDA
Mas faltava um meio! Algo entre essa fé e ela!
Sim faltava! Aquilo que faz do amaR um Verbo, a ação!
FERNANDA
E já basta...

Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

Imagem de Daniela Macri, mais fotos em: http://www.olhares.com/utilizadores/detalhes.php?id=26110

Escrever


Escrever é a compulsão dos covardes
É a arma dos tímidos e dissimulados
É a pedra na mão dos que se ocultam
É emoção contida, tentativa de achar a medida
E dar forma ao que se sente na vida.

É portão de saída das palavras que não se falam
Toque civilizado ao pensamento mais vil
Torna tudo humano e sintetizado
Faz do tirano amigo gentil

Escrever é mais que ser
Pois o que se é não muda o outro
Mas a lei dura da leitura, traz em sua mansa ditadura
A impressão sutil e segura do que da vida fazer.

E, se alguém ainda duvida do poder de escrever
Lembre que os Mandamentos, para serem seguidos a contento,
Foram escritos por Deus, para o Homem não esquecer.

Alexandre Giannini (índice de posts dos outros contribuidores)

domingo, dezembro 03, 2006


A primeira veio só,
Pedia qualquer coisa,
Mas estava belamente vestida,
Cheirava bem,
Caminhava altiva,
Não exigiu muito,
Quis um afago,
E ao receber,
Foi-se.
A segunda, também veio só,
Pedia algo mais,
Tinha vestes desbotadas,
Não usava perfume,
Caminhava insegura,
Mas pediu um pouco mais,
Queria meu beijo,
E ao receber,
Foi-se.
A terceira veio acompanhada,
Não pedia nada,
Tinha as roupas rasgadas,
Era mal cheirosa,
Caminhava amparada,
Mas sua companheira quis a mim,
Queria minha alma
E ao tomar-me
Percebi que todas as outras eram eu, e fui.

Larissa Marques (índice de posts dos outros contribuidores)

*Ilustração de minha autoria

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sábado, dezembro 02, 2006

Companhia à Qualquer Preço


Hoje a vitória é barata
Qualquer um pode ser alguém
Numa corrida pro nada
Vemos zero virar cem

Ter é mais do que ser
E aparecer é estar feliz
O que se é, se é bom ou mau
O outro é quem te diz

Solidão é maior rebeldia
Só é bom quem tem alguém
Mesmo que seja tudo mentira
Pois quem tem companhia
É sempre gente de bem.

Deixa par trás tuas teorias
Esquece Deus e a razão
Procura amizades, que por
Mais que vazias, são a garantia
De que consegues viver em comunhão

Não importa a loucura
Nem a covardia, a ignorância da multidão
Cada um procura a segurança da tribo
Sê mais um nesse grito de hipocrisia da união.

Faça parte de uma comunidade
Não importa a qualidade
O importante não é ser, é pertencer
No pânico das cidades,

Palco moderno das futilidades
De quem teme a realidade
De que nascemos sós
E sós vamos morrer.


Fonte da imagem: http://contramaun.zip.net

quarta-feira, novembro 29, 2006

A corda

[...]

Dizem que o pensamento
Dá asas a ilimitada mente

Eu fraseio o inverso:
O pensamento ata-a, é uma corda
Ou mesmo espécie de corrente!

Mas defronta-se em paradoxo
Quanto mais forte é o pensar,
Mais flexível é a imperativa corda,
A mente mais longe vislumbrará

E se a atada é forte e baldia
E a corda é tosca, há ironia:
Pode haver mente em liberdade
Livre de cordas, ausente de corpo,
Mas isso nomeiam de insanidade

Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

À Trovadora Fria


Foram-se os sonhos de um vento de morte!
Aviva-te em mim, ‘sperança nobre!
Neste jovem efervescente coração: forte
Que tanto resistiu aos ataques de tropa hostil...


Resistiu vitorioso em inefável ‘sperança nobre!


Pago em moeda de cobre
Foi o tostão merecido à miséria branca
Das páginas de dor d’um negro breviário:
O sangue, apenas, e centenas de pequenas solidões na franca
Alvura do Nada é que vingaram nos papéis tal qual calvário:


Na dor vingada em prosa antiga, que se desdobre


A nova ira de liras famintas
Diante guitarras d’um curso cigano!
O passado ancestral virtua-se vivo em tintas
Rubras nas faces de dançarinas morenas: o engano,
O devir imprevisto ao furor da cantata, faz com que te sintas
Oh! Meu coração, aturdido
Aos movimentos da ‘strada perdido!

E neste erro, todo horizonte mouro é infinito!
E no desterro que da dor deixou o peito aflito,
Segue o bardo ao jovem raio louro do dia:


Tardia, calou-se Trovadora Fria
Que sorria: “Renuncia”!


_____________________________
Imagem: www.deviantart.com/print/300752/

Allan Souza (índice de posts dos outros contribuidores)

domingo, novembro 26, 2006


Sonha, que teu desejo é vão,
Ama, que teu sonho é vão,
Vive, que teu amor é vão,
Grite, que tua vida é vã,
Cale, que teu grito é vão,
Morra, que teu silêncio
É o que te cabe
Neste mundo sem perdão,
Perdoa, que tua morte é vã,
E vá, que tua ida
É apenas despedida
Do que tanto te aborrece.

Larissa Marques (índice de posts dos outros contribuidores)

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quinta-feira, novembro 23, 2006

Inveja

Veja a velha inveja
Reveja o que ela enseja
Não tema de senti-la
Inveja,inveja linda

Inveja que me motiva
Despeito de não-poder
Inveja, jóia secreta
Que guardo no íntimo do ser

No fim, sobrará a inveja
Sempre onde homens houver
Inveja, bem humano
De tudo o mais que o outro tiver

Me rendo à inveja
Invejar também é viver
Pois sem o fermento da inveja
O bolo do mundo não pode crescer.

terça-feira, novembro 14, 2006

Desterro de um poeta bem seboso!



Porventura já é dura tua lida?
Oh senhor ditoso entre os demais poetas!
Teu quinhão amadureceu antes de todos por acaso?
És então portador duma lírica impossível aos demais!

Deveras! Ninguém por te alcançar!
Ninguém alcança nem altura nem lonjura de tua letra!
Com tua lábia subiste aos céus e voltastes incólume!

Donde achas que vem te lume?
Se sentes o próprio escolhido!
Quem sabe a figura iluminada!

Pois chega! Jáz o momento em que reinavas!
Protesto e declaro teu desterro já!
Tuas vísceras expostas!

Vergonhas à mostra!
Não te escondas em tua miséria.
Antes pois, trata de desvencilhar-te de teu casco seboso

Quem sabe um dia tua pele volte a sentir
E teus olhos comecem a enxergar novamente
Aquilo que a tu mesmo lhe privaste!

O que sempre foi patente a tua face
E que nunca te preocupastes em cuidar!
Olha ela! Vem ela passando! Ninguém a segura!

Corra! Ande! Pegue o bonde! É ela!
A VIDA!


domingo, novembro 12, 2006

Poema para enterro de poetas


No atesto de óbito:

"Causa Mortis: Ego"

Na lápide:

"Jaz aqui um ex-bom poeta
que pensava que tudo que escrevia
era sempre bom,
pelo mero fato dele ter escrito
"


Então só lhe resta recitar seus versos
no seu desfile pela Avenida da Saudade


Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

segunda-feira, outubro 23, 2006

...

Me defino como um composto inflamável de desejos
Que quando inflama, seu fogo apenas queima, não aquece...
Mas não pense que falo dos desejos fortes
Eu falo dos desejos mais desesperados,
Falo daqueles que me viciam em alívios imediatos!
Exatamente aqueles que você me desperta...

Então não me dê tapas na nuca e nem nas costas
Me dê tapas na boca em na busca de sua saliva,
Num encontro de contornos labiáis com o mundo aos meus pés
Apenas para alimentar esse fogo que só arde!

Sou às vezes um corpo fraco para tais impulsos!
Sou desejos materializados em carne fraca,
Sangue quente, coração pulsante,
Ossos que quebram e olhos que choram...

Muitos enxergam esse fogo como uma mentira,
Eu o vejo como mistério!
(Apesar de ser mais inquietante)
Um mistério que desvendo em sua beleza e ser
Ou então, devora-me, queime!

Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

sexta-feira, outubro 20, 2006

Humanos!



Será que o principe definitivamente virou um sapo?
Poderia ser mesmo a vida não sonhar?
Quem sabe o garotinho cresceu
Desventurou-se de tanto que conheceu

Dum mundo incolor
Repleto de formas anêmicas

De escarros gritantes
Duma sórdida companhia
A da conquista entalada
Que é empurrada goela abaixo

Da vida que não se vive,
Mas que se corre
Dela mesma e no meio dela
Por ela, num ideal que de nada é franco

As coisas que antes ardiam no peito de mancebo
Sobram em lembranças num tempo que arde
Numa hora, agora, que não mais canta
Só grita, grita a exigência...

A grita da existência!
Faça o que é!
Deve ser feito!
Respeite!
Entregue!
Não! Nunca reclame de nada!

Não seja ingênuo! Nesse mundo tudo se disfarça!
Nessa dissoluta coragem todo ímpeto é escarneo
Força? Força pra que??? Pra quem???

Se não percebes, já cheguei!!!
Já fui ao pote de ouro,
Não vi lá nem um tesouro sequer...

Apenas o de sempre, o novo que hoje é o mesmo
Repetições que se transcendem...
Humanos! somos sempre os mesmos em nós!


Alfredo Jordy (índice de posts de Alfredo)

terça-feira, outubro 10, 2006

Profeta

à Mignon,


Oi Flor!

Como vai esse teu aroma todo seu?
Duma cor toda em crepúsculo, solar...
Cheiro cor de fogo, dos incêndios d´alma

Clara a multidão de sentimentos,
Das urgências de te querer...
Solicitudes constantes estas!
Ávida vida!

Ensurdecedor clamor dum ser
Por estar contigo novamente

Nesta história minha e tua,
Não caiba eu como profeta,
Mas contigo, ser vivente das falas

Dum sublime querer!


Alfredo Jordy (índice de posts de Alfredo)

_____________________________
Óleo "El Profeta" por
Cecilia Lueza
[http://www.interarteonline.com/C_Lueza.htm]

quinta-feira, setembro 28, 2006

Contudo, nada

Posso falar de quase tudo,
Contudo estou aqui sem nada
Tentando uma falsa guarda,
Sendo obtuso para compensar
Os agudos da minha infinda alma

Torno assim algo puro
Em temeroso, obscuro!
Já que me tarda tal clareza
Que nesse assunto
Não se fala, cala
E não se possuí, acompanha

Acompanha até as expressões,
Firmadas em fortes rugas,
Rimarem de tão antigas
Ou findar numa bifurcação
Espontânea, ou não,
Em qualquer momento de nossas vidas...

Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

Foto: www.almacarioca.com.br

quarta-feira, setembro 27, 2006


Sou poeta ruim
Da boca amarga
Cheia de pigarro
Não me comparem
Não sou Navarro
Tenho a boca suja
Não tenho pudores
Escrevo escárnio
Não amores
Que se danem
Cecílias e Coras
Qualquer escória
Quero e sou mais eu
Que se danem todos
Que se dane seu deus
Sou ateu.

Larissa Marques (índice de posts dos outros contribuidores)

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domingo, setembro 24, 2006

Princesa das Eras

à minha preciosa,

Eu me encontrei em ti...
Eu te encontrei em mim

Somos nós
Só o nosso
Só nosso
Nós dois!

Sentimento em um
Em dois

Amantes juntos enfim
Dois como um

Em essência
Em amor
Em querência

Devoto amor...

Meu por ti
Teu por mim

Cruzam e se juntam
Ajuntam as cruas cruzes

Dos dois sóis
O meu e o teu

Princesa das eras
Dos ventos
Dos tempos
Do meu ser

Era quem esperava ser...

Junto de mim!


Alfredo Jordy (índice de posts de Alfredo)

domingo, setembro 10, 2006

Alma de Flor

à preciosa,
Tornar tão livre
Quanto brilho de luar
Iluminar corações
Como belo raiar solar

Poderes cabíveis
Apenas à rosas,
Em meio a acúleos
Belas e ardentes

Equilibrando a espera
Em areias alvíssaras
Temperada em meio à luz
Azul, anis assim...

Dignar-se-ão somente a ela
Sentimentos incontidos
Glórias de um futuro
De novas que ainda chegarão

Dança de consortes...
Às tais rosas
Preza entregar-mo-nos
Aos risos de satisfação

Quedada alma sibilante
Enebriante viço de encanto
Certeza de prazeres
Cujo canto é elevado

Reinante alma de flor
Luz com sabor oriente
Silente profundidade
Perfumado brilho

Por certo, pétalas de ti
Estrados da vida
Ansiado sabor a guiar
Quais puros ósculos ...

Alfredo Jordy (índice de posts de Alfredo)
________________________________
Fotografia de "O Beijo" de Auguste Rodin.
Por http://www.lilithgallery.com/articles/artists_rodin.html

sábado, setembro 09, 2006

Cupidos também erram

Cupido, você errou!
Você errou, Cupido!
Tua flecha, o meu peito varou.
A de minha "amada" vagueou.

A uma jovem este coração foi confiado,
Sem que a mesma tenha notado.
Meu coração está arrefecido,
Por um amor não correspondido.

Cupido, conserta a tua omissão,
Dá-me um novo coração!
Saiba que vou te processar
por danos morais!

E pelas humilhações que me fizeste passar
Enquanto, ludicamente,
minha "amada" eu tentava conquistar...

E.M. - Pax Optima Rerum (índice de posts dos outros contribuidores)

Depois que parti de mim
Escrevo cartas intensas
Sem fim
Rabiscos tortos
Inúteis
E essa casca
Convalescente
Insiste em gritar,
Chorar, sofrer,
Clamar pelo que já fui
Mas esse que observa
Já não quer mais voltar
Busca ainda seu rumo
Está preso a esse tema
Fatídico e ignóbil
Como as canções repetidas
Em semitom
Não mais
Não mais.

Larissa Marques (índice de posts dos outros contribuidores)

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quarta-feira, agosto 30, 2006

Ad Aeternum

Como outros vieram,
Vieste me ver hoje nesta manhã tenebrosa.
Por que não estás temerosa
Diante do futuro que a ti anuncio?

Em breve partirei
Rumo ao meu destino,
E não poderei
Estar mais contigo.

Quero lhe dizer mais uma vez
O quanto a amo,
Mas obstáculos se interpõem no meu caminho...
Por que o amor que sinto por ti
Não os corta como a espada, corta o espinho?

Pobre do meu coração apaixonado!
Bem aventurado é o amante
Que pode passar cada instante
Ao lado do seu enamorado
Eu não posso mais...

Ah... se eu pudesse contar
As alegrias que você me dá...
Levaria uma eternidade em contemplação;
Eternidade que, agora, está à minha disposição.

E.M. - Pax Optima Rerum (índice de posts dos outros contribuidores)

Embala-me em teu berço absurdo
De concreto e fumaça
Tuas samambaias nas encostas
Lembram-me a mata
Tua música singular
Teu canto caótico
Faz-me ninar
Entre carros, televisões, visões,
E máquinas.
Sou teu filho bastardo
Não desejado
Em um canto largado
Metrópole, eu chamo-te mãe,
Mas é esfinge
E não te decifro,
Devora-me.

Larissa Marques (índice de posts dos outros contribuidores)

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sexta-feira, agosto 25, 2006

Lira de Romance III - Suspirar

para minha menina,
quero suspirar em ti

suspirar contigo

ser contigo um suspiro

como um doce vento

sê tu vento ou rajada!

seja a lua ou o céu em mim

seja todo o ósculo do universo

me suspire a vida

me ilumine a lida

seja conforme forma tua Lua é

brilhante Claro farol

voando sobre os céus

nunca perdendo seu lugar

como um beijo com que me removes o ar

o respirar, somente estar em suspiros

suspirar...


Alfredo Jordy (índice de posts de Alfredo)

quarta-feira, agosto 23, 2006

Lira de Romance II - Sublime Querer


Para minha menina,
é profundo

esse querer e bem querer

ser o querido e então querer

te querer

ser, querendo

a querência de ser

de só ser contigo

e então ser...

o ser eu e você

apenas

então nós

somos novamente ser

em nós,

em mim,

em ti

e nossa história vai sendo escrita

sendo, tendo sido

querendo ser

sublime!

Alfredo Jordy (índice de posts de Alfredo)
Deixo claro o manifesto
Apologia ao que amo
Dedo médio ao que detesto
Sou bagaceira
Sou mundano
Bagaço do engano
Filho da hipocrisia
E da completa insanidade
Que se dane o engenho
A cana, a garapa,
O álcool, o açúcar, os dramas,
Sou bagaceira
Que te engana
Que fermenta
Que fede
Incomoda e reclama
Sou bagaceira
Que inflama.

Larissa Marques (índice de posts dos outros contribuidores)

segunda-feira, agosto 21, 2006

Lira de Romance I - Sentir...

para minha menina,

Saudade...


Coisas que não se dizem
Carinhos que não se falam

Só se sentem
Se beijam
Se cheiram
Se sentem!

Perfume de rosas não podem ser dissertados
Só inspirados

"Você me pegou de surpresa!"
Me agarrou pelo peito
Me levou ao teu leito
Se fez minha rosa

Teu cheiro
Intenso cheiro
Me ardeu por inteiro

Soprou em mim teu vento
Me fez sereno, intenso
Sem me entender por completo

Vi e vivi, senti...

Até agora estando sem saber como dizer
Falar...

Só mesmo,
Sentir...



Alfredo Jordy (índice de posts de Alfredo)

sexta-feira, agosto 18, 2006


Pairo sobre a cidade fria,
Concreta, solitária, vazia...
Pessoas caminham inquietas,
De olhos fechados, estúpidos...
Fecham suas asas,
Não ouvem, não pensam...
Meu grito rasga o céu,
Ecoa no silêncio...

A noite cai sobre as esquinas
Mulheres que ainda são meninas
Que se pintam, sem decência,
E com o batom, matam suas carências...
A metrópole como essas meninas
Deixa de ser fria,
Concreta, solitária,
Mesmo ainda sendo vazia...
A aura noturna,
A bebida, as luzes amarelas,
Ofuscam os desavisados,
Lascivos, permissivos,
E nocivos olhos fechados.
A aldeia e as meninas estão entregues
À exatidão, à ilusão,
Nos becos dos prazeres
Iluminados por luzes de néon.

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segunda-feira, agosto 14, 2006

Águas do Ventre do Rio de Janeiro


Deus pode até ter criado
Como espelhos do céu os mares e lagos
Mas a Baía de Guanabara Ele escolheu
Para refletir, no topo do Corcovado,
A grande imagem do filho Seu!

Talvez por isso e por sua geometria,
Semelhante a um feminino ventre
provavelmente inspirada no da Virgem Maria,
A baía é portadora dessas águas,
Para mim, tão inspiradoras...

Quero que afogue meus poros, deite-me em mim
Num fundo respirar em seu ventre inspirador
Nessa manhã ainda pouco aquecida
Onde o concreto da ponte fez-se transbordar
No céu e nesse espelho, o mar, seus tons de cinza...

Assim escuto as águas sussurando
A angústia dos beiros fortes
Que tem a sorte de belas visões da baía,
Mas não podem pecorrê-las e nem sentí-las

Elas também sussurram sobre nevoeiros,
Que ao contrário dos beiros fortes
Estão em todo o lugar e por isso,
Em lugar algum, nem em si mesmos...

E no reflexo dessa grandeza
Me vem diversas lembranças
De homens nevoeiros e outros fortalezas...

Mas tem algo que não é sussurro, é grito
Talvez vindo das águas
Ou até mesmo um eco da imagem de Cristo
"Tolo é o homem que polui a baía!"
Mas até nisso ela me inspira:
"A baía está combinando sua sujeira
Com a sujeira da alma do homem que está a sua beira!
Inclusive dessa tão familiar que agora se encara!"

E só um pensamento resta
Com o grito tornando-se flecha:
"Como essa baía no reflexo desmascara
Tão caro é encarar-se nela
Quanto tão pobre for a alma refletida...

E sendo assim que o reflexo Dele no Corcovado
Fique junto nas águas com nossos reflexos deformados
E continue me inspirando na baía
Nesses reflexos todos de todos os dias..."


Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

Créditos da Imagem: NASA

Ao Seu Lado


Estou olhando para o céu.
Sabe, ás vezes faço isso.
Me distraio com sua imensidão.
Vejo estrelas,
o pôr-do-Sol
e também procuro respostas.
É o que mais tenho feito ultimamente.
Resposta para uma pergunta que não a tem.
Porque você não está aqui?
Comigo?
O que falta para a gente dar certo?
Quanto tempo caminharei sozinho nessa estrada?
Sem solução,
tento encontrar algo
que equilibre minha equação.
Algo que me dê forças.
O fato de não te ter ao meu lado
me deixa como louco.
Mas, de uma maneira estranha,
me deixa feliz.
Pois, assim, lembro de você todo o tempo.
Não apago nenhum traço de seu rosto
da minha mente.
Não esqueço seu cheiro
e até escuto sua doce voz
em meus pensamentos.
O que pode ser isso?
Sinceramenete, eu não sei.
Só sei que é o sinto por você.
E, se isso não é o bastante,
irei onde me for possível,
apenas para ficar com você.
Agora, você está distante.
Agora, eu te amo cada dia mais.

Eduardo Silva Ramos (índice de posts de Eduardo)

Praia Deserta IV


É incrível como certos hábitos
Permanecem incólumes às circunstâncias
Nesta primavera não me encontro mais tão isolado
Mas ainda sinto a solidão dos que lutam com a própria ignorância...

O Sol é hoje como um presente
O qual a maioria das pessoas se nega
Enquanto espero por essa gente
Escrevo versos nesta praia deserta

Praia dos jovens, morenos e emproados
Mais igualados que um batalhão de chineses
No vazio dos pensamentos, gestos e vocabulário
São, das maldades da vida e no tempo, eternos fregueses

Vejo a todo momento, cumprirem-se rituais rotineiros
Qual o simbolismo desse andar, nadar, surfar e bronzear-se
Se os resultados são tão frágeis e passageiros.

Me reparo e me preparo para entrar n’água
No mar que me causa tanta felicidade e agonia
Sinto que me olham, pois não cumpro os rituais
Se estou triste, me recolho e choro
Se estou alegre, sorrio em minha alegria...
Não mais aparento a torrente de emoções
Sou como os camaleões, entregue as cores da alma
Não tenho mais o controle que tinha
A velha aparência de indiferença e calma
Não tem mais sentido, consegui o que queria:
- Tornei-me indiferente incontido...

Alexandre Giannini (índice de posts dos outros contribuidores)

Créditos da imagem: www.turismomaceio.com.br

domingo, agosto 13, 2006

Inimigo Interior

O maior de todos os inimigos
está em nosso interior,
somos nós mesmos!
Este inimigo sabe das tuas fraquezas do mesmo jeito que você.
É preciso conhecer e saber lidar com este inimigo.
Não se pode destruí-lo, por que ele e você são um.
Você o destrói, e serás destruído por ele.
Tem que barganhar, usar a diplomacia.
Mas cuidado!
Ele sabe exatamente o que você pensa!
Saber domar este inimigo e a chave para se tornar um individuo melhor.

E.M. - Pax Optima Rerum (índice de posts dos outros contribuidores)

sábado, agosto 12, 2006

Poema da Indecisão

A indecisão dói
E me rasga
E me dilacera
Por dentro e por fora

Seria melhor
Se eu soubesse
Se você fica
Ou se vai embora

Será tudo destino
Ou erro passado
Ou erro presente
Que me agoniza

Ou é tudo culpa
Da sua ausência
Da sua inocência
Que se eterniza

Mas é melhor ter certeza
Seja do amor
Seja da dor
Do que viver na dúvida
da sua presença


Cristiano Mannarino (índice de posts dos outros contribuidores)

sexta-feira, agosto 11, 2006


Às vezes me olho no espelho
Como que para encarar
Meus olhos tortos
E entender que ainda sou
Aquela menina
Que tinha medo de passar
Pela Avenida da Saudade
E ouvia o lamento dos mortos
E via o desespero dos vivos
Aquela menina
Que não queria ouvir
Que não queria ver
E o que me importa
Saber das conchas
Hoje, atenho-me aos caramujos,
Que diferença faz
Ainda sou aquela menina
Que andava sem rumo
E que um dia não fugirá mais
Terá teu leito
Na Avenida da Saudade.

Agradecimentos especiais ao fotógrafo Paulo Brasil, você poderá encontrar mais trabalhos dele no endereço: http://www.flickr.com/photos/37837202@N00/
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.Convido você leitor, para que visite meu blog de prosa: http://www.calamidadevisceral.blogspot.com/

quinta-feira, agosto 10, 2006

O Arlequim!

Lá vem o Arlequim,
Vestindo cetim,
Fazendo festim.
Até que enfim!

Lá vem o Arlequim.


Ele vem s a l t i t a n d o!


Ele vem c a m b a l e a n d o!
Wow, (rodopiando)!

Agora parou...
Será que cansou?
Não, continuou!

Lá vai o Arlequim;
Passou por mim.
C
ontinue assim,
Arlequim,
Uma alegria sem fim.

E.M. - Pax Optima Rerum (índice de posts dos outros contribuidores)

quarta-feira, agosto 09, 2006

Mas e o resto?

E o resto?
O resto é resto!
Vai de dispersar...
Pelos giros que o mundo
Insiste tem dar!

Contudo,
A retórica vale,
Resto é o que dispersa no mundo!
Isto é, o resto é tudo!


Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

terça-feira, agosto 08, 2006

Lírica


Dois contos e meio de poemas
Seriam felizes dois contos e meio se não fosse a apatia
Quem sabe dois contos e meio não bastariam para pagar a alegria
Para ser o preço do tempo ante nossos trabalhos esforçosos

Dois contos e meio é o preço do acesso ao sucesso
Ao encanto de muitos pela criação de alguns
Mas dois prantos e meio não seria tão pesado assim
Para o triste fim de um começo acanhado

O fim da timidez ante as letras
Elas agora como amigas nos consoam a achar e desachar
O infinito pequeno de acanhamentos estéticos
Se expande rumo ao gosto individual

Se completa, deveras, no peito de quem lê,
De quem observa e calmamente sorve nossos breves rosários
Que falam de vidas vividas
Do que fazemos ou do que amaríamos fazer

Amamos fazer, fazendo, fraseando
Poetando, poetizando, poetificando,libertando
A Lira incomum, a lírica perseguida
Dentro de nós, do ser incontido

Aquele que grita a existir,
A conhecer a ação de tantos

Durma com um barulho destes oh mundo!

Mancebos impetuosos erguem a pena
Marchando rumo aos seus acordos com a fé
Movidos pela sede de serem ouvidos
Ante a caótica e causticante realidade

Inerrante dessa esfera mundana
Dessa bossa Luntana

Desdém de toda a amargura e dificuldade
Das incapacidades incapacitantes

Reciprocidades ululantes

Chegamos até aqui, não como errantes
Mas sim amantes dos eternos discursos d´alma.


Alfredo Jordy (índice de posts de Alfredo)

domingo, agosto 06, 2006

Rosa dos ventos

Roda, Rosa, roda
Roda (d)a minha mente
Que de cético agora não tem nada
Sem rumo.
Rosa.

Rosa sem nome, aponta
< pra lá
Que vou pra cá >
Leva teu sonho,
Que eu cuido do meu.

Rosa dos ventos
Avoada como eu.
Sem rumo é agora
O meu, era hoje.
Te ruma, segue sem medo,
do meu caminho, cuido eu.

Rosa, acorda cedo,
Não leve lembrança na mente
Não gire em círculos.
Já tem rumo certo,
Que belo rumo.
Não era o meu.

Rosa, sem medo,
Voe com seu vento.
Se foi algo que te prendeu,
já foi.
...Que belo cético eu fui...
...sem rumo...

Rosa

Marcos Vinicius Policarpo Côrtes (índice de posts do Marcos Côrtes)

Atos Sinceros



Para Anna Clara Sampaio,


Tão agradável esta madrugada...
Bach, uma cama macia
E meu peito preenchido
Pela presença da minha Rosa

O que mais se me percebe, fora o afeto,
Se chama admiração

Me admiro por aqueles olhos vivos
Que me expressam dulcíssimo senhorio,
Inundam-me com forma e graça

Ao ouvir suites tocadas à gamba
Me recordei de seus trinados
De seus sorrisos incontidos
Que me afagam, com tamanha intensidade

A cada encontro, a cada momento juntos
Encontro uma nova mulher, dona de seu destino
Que ao mesmo tempo suave menina!
Com viço e frescor de uma Primavera eterna

A noite passada foi de atos sinceros

De portas abertas.
À meia luz,
Nossas imagens foram se tornando
Cada vez mais alvas...

Como num "Loure", nossas vidas;
Calmamente descortinadas

Tal qual num óleo, surgindo a cada pincelada
Há de surgir tal formosa pintura!
Uma intensa melodia, sublime lira
De toda nossa história juntos

Pois,
Se a vida se faz do inexperado
O meu bem, o afago mais aguardado
Por tudo isso,
Se fez teu...



Alfredo Jordy (índice de posts de Alfredo)

Augusto Massa





Augusto,
não gosta
nem desgosta
nem quer resposta
(não tem perguntas)
sequer aposta na vida!
Em suas emoções frígidas
não inicia nem finda

Augusto Massa,
assina A. Massa
mas ele que é
amassado, devorado
e desvirginado
pela fome dessa vida
que regurgita-o
ardendo em azia!

Augusto
é como macararrão instantâneo:
(um modismo contemporâneo)
rápido, prático
(plástico)
e objetivo
mas nada nutritivo!
Feito na massa
da moda foda...
Uma massa cinzenta
com mídia-molho de tomate
em banho maria
de um dia
sem tempero,
sem responsabilidade,
sem visão,
só às vezes tesão,
mas sempre desespero



Augusto,
nem franzino,
nem robusto,
apenas massa
que acha graça
nas estrelas
como clitóris noturnos
para suas emoções frígidas
a serem tocadas
com suas fardas,
suas farsas
que escondem o gosto,
escondem estrelas,
escondem o Augusto Massa!

Cadê o Augusto Livre
que gosta,
que ama,
que vive?
Está amassado!
Está emassado!
Frígido em si!...





Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

sábado, agosto 05, 2006

Thanatos

Eu sou o medo.
Colho das ninfas de meus amores
um pouco de satisfação.
Toco acordeões, circulo as luzes
faço sala para as mesas.

Eu não prometo.
Meu egoísmo é minha espada
minha carapuça, meu solo.
As músicas só fazem sentido assim.
O ópio de estar entre vós.

Numa grandeza de espírito,
sepulto-me, sussuro:
eu sou o deus morto,
minha poesia cálida não tem sal.
o mar não rima com meu coração.

Ação, eu não sou.
Uma contra-afirmação insistente,
algo que desistiu, mas ainda desiste.
e ainda desiste, desiste, desiste,
compulsão.


Amores quando não são ilusórios,
os mato com o tempo, deturpo com exageros,
os murcho como passas,
uma passa seca,
exarcebadamente seca.


Os campos, as pessoas e as flores,
tão poéticos como um sonho bom,
tentanto sentí-los como sentido,
não mais um inútil senso.
Eu sou o medo.



Marcos Vinicius Policarpo Côrtes (índice de posts do Marcos Côrtes)

sexta-feira, agosto 04, 2006

Vae Victus

Vae Victus!
"Sofrimento aos conquistados!"
Diz o caçador, aos caçados;
Diz o ditador, aos rebelados.
Sentenciando-os.

O mundo é uma grande ferramenta
de seleção natural.
Não há espaço aos perdedores,
só aos vencedores.
Aos perdedores resta-lhes sofrimento e escárnio.

E assim diz-se que a sociedade melhora...

Sociedade moderna, selva de pedra!
Ela é o grande predador!
Nela não há espaço para derrotas.
Nesta selva de pedra,
só os vencedores têm espaço ao sol.
Aos perdedores resta-lhes viver na sombra dos vencedores,
e alguns jamais transpõem esta sombra,
algumas intransponíveis.

Se és vencedor hoje, aproveite!
Vitórias vêm e vão
hoje estás no topo, amanhã de volta ao chão.
Vitória é um enfeite
hoje a sua está na moda, amanhã não.

A dor da derrota,
antes fosse física
Raiva, arrependimento, questionamentos
São os únicos sentimentos.

Vae Victus
Ai dos vencidos!

E.M. - Pax Optima Rerum (índice de posts dos outros contribuidores)

quinta-feira, agosto 03, 2006

O centro que me tira do eixo

Por que você fica mais à esquerda
Do meu, por ti, já pequeno peito
Se você vira o centro do meu ser
Nos receados ou ávidos momentos?

Talvez por isso que na glória ou perda,
No sol a pino ou no meu leito,
Você tire esse ser torto do seu eixo,
Já que você pesa mais nesses momentos

Tais onde emaranha-se denso!

E sendo um fadado centro,

Mas não estar, em mim, centralizado,
Tira-me o eixo e me e se contraria...
Rompendo-nos, nos ligeiros giros,
Nessas revoluções em forma de dias...



José Augusto Sapienza Ramos (índice de posts de José)

Créditos da imagem: http://www.sergiocaredda.com/