segunda-feira, janeiro 29, 2007


Um olhar distante
Talvez a engane
Tão profundos jorram
O sangue e a sorte
Mas ela é astuta
Não se engana o objeto estrangeiro
Nem a carne invadida,
Dilacerada, tomada,
Pode se sentir a dor alheia
E até compartilhar dela
Mas o gozo é solitário
Não comungado
Um dos olhos
Ateve-se um pouco mais
Em si mesmo
E avermelhado
Fechou-se
Num derradeiro conforto
Não lutou mais
Já não era um confronto
Era mais um encontro.
O outro permaneceu aberto
Como na espreita
Para uma única chance
Espera vã.

* A ilustração é de minha autoria

domingo, janeiro 28, 2007

Sonho de uma noite (de verão?)


Liguei a tv, olhei a cena...
Fechei os olhos
Fiquei a ouvir
Quis desligar
Pensei contestar
Preferi acreditar

Liguei o rádio, ouvi a canção
Levantei de impulso
Desviei a impressão
Quis cantar uma nota
Talvez duas até
Preferi o silêncio

Abri a porta, vi a rua adiante
Caminhei um passo
Não olhei pra trás
Quis seguir sem destino
Por uma hora ou mais
Preferi acordar

Zaira Brilhante (índice de posts dos outros contribuidores)

Convido todos vocês a lerem a Re-Vista, uma revista virtual quinzenal com matérias sobre filmes, peças, eventos, entrevistas e cultura em geral. Acessem: www.re-vista.info

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Incerteza...


Neste mundo, nada é certo
(Tudo é tão incerto!)
Neste mundo,
A única certeza que se tem,
é que não se tem certeza de nada
Certeza é algo incerto.
(E a retórica é verdadeira!)
Será?

E.M. - Pax Optima Rerum (índice de posts dos outros contribuidores)

Imagem: Princípio da Incerteza - René Magritte, 1944

domingo, janeiro 21, 2007

A Sala


A mulher, ou talvez ainda menina, agora é frágil
Está no meio de sua sala construída a mão medrosa
Encontra-se num sofá que conforta-se nela, adormece dela mesma...
Seus pés teimam em fugir do taco frio como quem corre do calor já distante!

Usa alguns comprimidos, talvez pela semelhança, está comprimida...
Cataliza-se na cadeia das horas, na (de)cadência do ponteiro
E atônica observa o vaso e sua flor vermelha-morta sobre a mesa
Está a chorar, chora cada um dessas três letras - não - que não cabem ao coração
Pois as outras três - sim - não existiram para lhe entregar a felicidade

Então ela insiste em cerrar todas as janelas para o horizonte
Esquecendo que a porta nunca lhe será segura,
Pois o acaso é abusado, tem a chave!
E quando ela percebe, alguém invadiu, se instaurou!
E grita, tem medo, mas a força que tem o seu grito de expulsar
Vem da vontade que essa pessoa fique alí, ao seu lado!

Como é cômica natureza da sala, ela mudou de propósito,
Antes era para ninguém entrar
Agora é para uma pessoa, apenas uma, não sair...
Mas como tudo na vida, inclusive ela mesma, termina,
Logo a pessoa se vai pela mesma porta que entrou!
E suas lágrimas se juntam na sua aceitação do fim

Assim a sala foi destruída e, a não mais menina, a mulher se foi...
Agora anda por aí, pelas ruelas das dúvidas, pelas anti-vias da vida
Entende que a sala não lhe protegia, não lhe serve,
Não prendia ninguém a ela, só ela mesma...
E quando dois destinos quiserem se cruzar
Dão-se as mãos e andam no mesmo sentido
E quando for o dia, largam-se, bifurcam-se por aí...

E no fim ela saiu da sua sala de estar
Para o grande quarto da vida, de viver

Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Void-me Vodka



Esvazie-me, vazio, anule-me.
Esse transbordamento de vazio que me consome.
Void-me. Vodka sem sentido.

Cansei de ler sobre existencialóides.
Buscar por alguma explicação para algo.
Aí, pensar, não fruto. Sentir, fruto não.

Void-me, Vodka sem sentido.
Esvazie-me antes que transborde.
Não sei o que lembrar. Lembrar, não sei o que fazer.

Dadaísmo afrodisíaco.
Não sinto nada. Não nada penso.
Não sei sentir, pensar no não sei.

Existência de ler, cansei.
Se existe? Ser não Existe.
Void-me, Vodka. Der-me sentido.

E antes que tudo se vá, mais uma dose...

Exato! Dêr-me um pouco mais de paciência!
Fique doido, mais uma dose, encha a cara.
Certo, faz isso, faz aquilo. Termina e começa.
Encha, encha-se. Beba, profunde.
Sinta! Sabe com é, não vou te explicar tudo...
Encha-se, var-te de foste, Imperdoável.
Seja imperdoável, nada mais, nem um pouco!
Sinta, não vou te explicar, nada disso. Nada.
- Tenha culhão para isso.
Encho, não sei, não posso...
- Não tem.
Mas Sou.

Sempre existirá mais uma dose...

Existência de ser, não sei.
Sentir resume-se a ter.
Sentir, o mais íntimo dos seres.

Sou. Existo, logo sinto.
Esvazie-me, anule-me antes que me encha.
Inexiste-me vodka, void-me.

Marcos Vinicius Policarpo Côrtes (índice de posts do Marcos Côrtes)

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Auto-retrato


Eu, que não sou alta nem baixa,
Nem tão gorda
Muito menos, magra.
Não sou de direita,
Mas também não sou de esquerda
Escrevo, mas não muito bem,
Aliás, nada me faz sensacional,
A não ser por um dia
Em um jornal.
Passo desapercebida,
Quando não me olham muito.
Tenho sorriso largo,
E um coração profundo
Mas de que me vale isso
Se está cego o mundo?
Um dia nasci
E disseram
“Saiu ao pai”
“Cuspida e escarrada”
Nem sei se sou,
O que digo que sou.
São tantas possibilidades,
E um mundo cheio delas...
Contraditória ou transitória
Acho que é assim que sou...

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segunda-feira, janeiro 08, 2007

Não Desanime

A vida sempre dá novas oportunidades àqueles que vivem e amam de verdade, novos amores, novas amizades mais fortes e sinceras do que aquelas nascidas do interesse e alimentadas com falsidade. Se tu, neste momento te angustias e sofres por aqueles a teu lado não respeitarem o quanto sabes, tenhas vivido ou estudado, e se reúnam, precipitados, para replicar tudo o que fazes ou dizes, sem refletir o quanto sabes e tens experimentado...Deixa que o infortúnio os ensine...Pois num tempo em que só os efeitos são notados, e a mímica da verdade é a panacéia dos tolos de hoje em dia, não podes esperar ser por eles compreendido e amado, e sim, amá-los em sua desarmonia, sabendo que a natureza não conhece fracassos e a noite traz em si a luz do dia. Por isto, não deixa que o ódio guie teus passos, transforma em esperança cada dia, ama à humanidade e em Deus confia!

Alexandre Giannini (índice de posts dos outros contribuidores)

terça-feira, janeiro 02, 2007

Auto-bibliografia ideal


Não me agrupo as inúmeras lajotas
Que ornamentam cômodos, suas facetas
Prefiro a natureza das maçanetas
Que dão a função de abrir às portas


Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)