segunda-feira, outubro 23, 2006

...

Me defino como um composto inflamável de desejos
Que quando inflama, seu fogo apenas queima, não aquece...
Mas não pense que falo dos desejos fortes
Eu falo dos desejos mais desesperados,
Falo daqueles que me viciam em alívios imediatos!
Exatamente aqueles que você me desperta...

Então não me dê tapas na nuca e nem nas costas
Me dê tapas na boca em na busca de sua saliva,
Num encontro de contornos labiáis com o mundo aos meus pés
Apenas para alimentar esse fogo que só arde!

Sou às vezes um corpo fraco para tais impulsos!
Sou desejos materializados em carne fraca,
Sangue quente, coração pulsante,
Ossos que quebram e olhos que choram...

Muitos enxergam esse fogo como uma mentira,
Eu o vejo como mistério!
(Apesar de ser mais inquietante)
Um mistério que desvendo em sua beleza e ser
Ou então, devora-me, queime!

Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

sexta-feira, outubro 20, 2006

Humanos!



Será que o principe definitivamente virou um sapo?
Poderia ser mesmo a vida não sonhar?
Quem sabe o garotinho cresceu
Desventurou-se de tanto que conheceu

Dum mundo incolor
Repleto de formas anêmicas

De escarros gritantes
Duma sórdida companhia
A da conquista entalada
Que é empurrada goela abaixo

Da vida que não se vive,
Mas que se corre
Dela mesma e no meio dela
Por ela, num ideal que de nada é franco

As coisas que antes ardiam no peito de mancebo
Sobram em lembranças num tempo que arde
Numa hora, agora, que não mais canta
Só grita, grita a exigência...

A grita da existência!
Faça o que é!
Deve ser feito!
Respeite!
Entregue!
Não! Nunca reclame de nada!

Não seja ingênuo! Nesse mundo tudo se disfarça!
Nessa dissoluta coragem todo ímpeto é escarneo
Força? Força pra que??? Pra quem???

Se não percebes, já cheguei!!!
Já fui ao pote de ouro,
Não vi lá nem um tesouro sequer...

Apenas o de sempre, o novo que hoje é o mesmo
Repetições que se transcendem...
Humanos! somos sempre os mesmos em nós!


Alfredo Jordy (índice de posts de Alfredo)

terça-feira, outubro 10, 2006

Profeta

à Mignon,


Oi Flor!

Como vai esse teu aroma todo seu?
Duma cor toda em crepúsculo, solar...
Cheiro cor de fogo, dos incêndios d´alma

Clara a multidão de sentimentos,
Das urgências de te querer...
Solicitudes constantes estas!
Ávida vida!

Ensurdecedor clamor dum ser
Por estar contigo novamente

Nesta história minha e tua,
Não caiba eu como profeta,
Mas contigo, ser vivente das falas

Dum sublime querer!


Alfredo Jordy (índice de posts de Alfredo)

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Óleo "El Profeta" por
Cecilia Lueza
[http://www.interarteonline.com/C_Lueza.htm]