domingo, abril 30, 2006

Até que o Sol se vá

De nada adiantou
pedir para que não ficasse assim,
você não quis lutar

Sentado no seu quarto
você vê a vida passar tão rápido,
diante do seu olhar

Quando você está perdido,
as palavras não fazem sentido
E tudo se volta contra você

E ainda quer acreditar
que saberá quando parar,
e você a domina, até ela dominar você

Vamos lá,
todos estão te esperando
até que o Sol se vá

Vem sair,
a tempos não lhe vejo sorrir
a tempos não vejo o seu olhar

Quando você está perdido,
as palavras não fazem sentido
E tudo se volta contra você

E ainda quer acreditar
que saberá quando parar,
e você a domina, até ela dominar você

Vamos lá,
o dia está tão bonito
pra se brincar!

Cláudio Miranda e José Augusto S. Ramos (índice de posts de José)

Obs: Essa música foi gravada em 2000 pela banda Lynx de forma independente, clique aqui para baixar o mp3! Para ver a lista com outras músicas da Lynx, clique aqui.

O quanto vale a pena lutar pelo que a gente acredita

Eu encontrei uma pedra de brilho raro
Que abalou minha vida, me deu um novo rumo

Me mostrou coisas que há tempos havia esquecido
Percebi que era preciosa demais pra deixá-la ir assim
Passar sem lhe segurar pela mão

Como a parábola do campo com o tesouro
O homem voltou lá e comprou todo o campo
Mesmo que o tesouro não correspondesse ao campo todo

Fui tocado por um anjo que em todo tempo reflete
A incessante glória do Altíssimo
Alguém que fez meu coração se estasiar ao vê-la

Ao perceber o que ela carregava no seu interior
De que era feito seu ser
Me achei em meio a isso tudo te amando

Querendo te conhecer, saber quem era essa jóia
E poder do meu amor compartilhar
E se isso tudo não fosse o bastante

Entraria na mais horrenda peleja pelo meu amor
Buscando vencer batalha após batalha
Até recrear-me no colo de quem amo

Por tudo isso, eu esperava...


Alfredo Jordy (índice de posts de João)

Diabólico Amor

Ó amor,
diabólico amor,
que consome meus pensamentos
e sufoca minha garganta.
Que sabe de meus anseios
e mesmo assim não desencanta.
Que corrói meu coração
e de nada adianta.

Ó diabólico amor,
rasga minha carne
com dor lancinante.
Bate forte no meu peito
em tom alucinante.

Ó diabólico amor,
que sempre magoa alguém,
mesmo que sem intenção.
Que age sem nos deixar ter reação.
Que é uma dádiva de Deus
ou, talvez, sua maldição.

Ó diabólico amor,
que sopra feito um vento gélido
dentro do meu peito.
Que suprime outros sentimentos
e não me deixa pensar direito.
Que não há remédio, nem cura
para seu efeito.

Ó diabólico amor,
que suga minha felicidade
como um sombra vampírica
que acaba me matando
de forma martírica.

Ó diabólico amor,
por mais que eu tente
não consigo me livrar
desse terrível e difícil mal
que é te amar.

Eduardo Silva (índice de posts de Eduardo)

sábado, abril 29, 2006

Saudades da Cachopa

Teresa... onde estás?
Foste para terras d´além mar?

Ai Mourari, ai Mouraria!
Pequena infanta, uma santa portuguesa.

Para onde foi esta tua beleza?
Por onde passou o teu encanto que nem vi?

Quando então voltas aqui... será que breve?
Apenas o momento de mais uma visita ao Tejo...

De molhar os pés nas caldalosas torrentes
Mas porventura viste a vaca em chamas?

O horror foi despido em frente ao porto
Trágica cena em meio ao olhos de tantos

Mas o que mais me recorda é o viço
Das gajas lusitanas, das noites lisboetas

Posso eu mais por mais um dia viajar?
Me lembrar de nossos momentos... na terra do Fado!

Onde estás afinal oh minha terna cachopa?
Saudades dos teus encantos!


Alfredo Jordy (índice de posts de João)

"Vaca em Chamas" se refere a uma música do conjunto português Madredeus. ouça Aqui.

Um lobisomem não tão juvenil

Ah! Esses murmúrios na minha consiência
Tornam-se grunidos de desabafos
Não existe salvação, nenhuma resistência
Essa criatura está agora em trapos

Todo meu império de céticas convicções
dentro de um novo cotidiano carregado em emoções
cái perante a lua, sem nenhuma chance ou defesa
não há porto seguro, nem alguma incerta certeza

O pior, nada disso é importante
nem todo o infinito, nem cada instante
estou sereno, firme, posto e constante
como se meu último dia fosse assim, flutuante

Eu posso dizer, você foi uma revolução
Pode ser uma resposta ao poeta Renato
você é como conseguir chegar até as nuvens
sem precisar tirar meus pés do chão

Eu sei, palavras só são o que o coração não pensa
Mas agora tens aquela chave e toda minha devoção

José Augusto Sapienza Ramos (índice de posts de José)

Obs: Os quatro últimos versos fazem menção a trechos da música da Legião Urbana - Eu era um lobisomem juvenil

"Amâdores Amádores"

Essa é uma letra da minha antiga banda que nunca chegamos a gravar! Coloquei pro pessoal que curtia a banda nessa época!
A letra é de 2000, e como diz Lulu Santos: "As canções mais tolas tendo os seus defeitos / sabem diagnosticar o que vem do peito"...

"Amâdores Amádores"

Estou bem aqui sozinho perdido em meu pensar
O mundo girando sem por quê
E às vezes imaginando que está tudo no lugar
nada tem ordem mesmo, quem é que vai saber?

Mas não me diga o que fazer e não venha me cobrar
te amo do meu jeito e o que vale é amar
Mas não me diga o que fazer e não venha me cobrar
Esse é o meu jeito de te mostrar

Dizem que não sei mas quem irá saber
o verdadeiro amor quem poderá dizer

Você sabe que acabou não venha me testar
quem sabe é apenas eu, ninguém pode me julgar
O mundo girando sem por quê...
nada tem ordem mesmo quem é que vai saber

Mas não me diga o que fazer e não venha me cobrar
se não tem outro jeito só me resta esperar

Se seu coração está com medo de errar
não se preocupe o meu também está...
Somos nada mais que dois amadores amadores
com corações imperfeitos, nem tudo são flores...

Dizem que eu não sei mas quem irá saber
o verdadeiro amor quem poderá dizer?

José Augusto S. Ramos e Cláudio Miranda (índice de posts de José)

sexta-feira, abril 21, 2006

Encontros Essenciais

Oh viajante da existência!
Te desejo boa ventura

Pois pessoas são mundos
Interesantemente inexplorados
Será que por isso procuramos
Pessoas tão diferentes

Parece que o tempo pára
Tudo faz sentido
O momento torna-se um tempo eterno
Completo, preenchido
Raros esses momentos

Participantes do movimento do universo
Sentir que tudo é tangível
Não um estado de espírito,
Mas um momento, um momento no tempo

A verdade é transcendência
Onde o todo faz sentido, não há questionamentos
O "deixa estar" impera
É a transcendência da existencia

Ei-los! Encontros Essenciais!


Alfredo Jordy, a partir de ideários discutidos com José Sapienza (índice de posts de João)

quinta-feira, abril 20, 2006

Menina dos Sonhos

Queria eu poder te dar um abraço
E beijar agora tua fronte

Te fazer sonhar por mais um pouco
Terna menina! Coração alado!

Voa como o vento! Se torna a sementeira...
Que semea sem saber onde deixar o ponto

O que começa e termina o que germina
Só voa, continua, alça vôo na vida

Na lírica do porvir, louvar-se-á tal nobre solo
Por este coração de moça jovem
Pelo amor maduro, que um dia sonhaste

Deixo isto então registrado
Para o dia em que se suceder

Possa eu cantar tua ode!


Alfredo Jordy (índice de posts de João)

sexta-feira, abril 14, 2006

Lógica do vitorioso-fracassado ou vice-versa

Eu fracassei, eu assumo!
Mas o fracasso é consequência da tentativa
Já a tentativa, esse é o único caminho da vitória
Logo, para a vitória, eu tenho que tentar

Se fracassei, é porque tentei
tentei chegar na vitória
quando se tenta, nunca se sabe
logo tenho que arriscar!

E se quero vitória
não tem outro jeito
Eu tenho que tentar
e assim me arriscando a fracassar

José Augusto Sapienza Ramos (índice de posts de José)

quinta-feira, abril 06, 2006

Milongas

O ócio do Beócio
Não inflama minha calmaria
Não alucina meu opróbrio

A Infanta reclama
do cio falante
desmancha fio
da conversa a meada

foi-se tudo embora

Novamente a menina
agora quem fala
estribucha de dores
Agoniza o diálogo

Milongas do Sul
Cruzeiro do Brasil
Prendas Minuanas
São todas baihanas

foi-se tudo agora

Amenas ditas,
são raras, conflitas
desejo de outrora
manqueja no dia

O Sol é quem salga
O Sol é quem paga
o meio-dia apaga
O paladar do tempo
dos que se alimentam

fugi do fogo os
que sem frio se aquecem
adormecem em frente às chamas
frias e cansadas

Eternamente Azul
Prestes a subir
pro céu adentro
Subo contente


Alfredo Jordy (índice de posts de João)

quarta-feira, abril 05, 2006

Te desejo boa ventura

Cada pessoa é um mundo
Sutil e inexplorado
quando as peças se encaixam
tudo parece pleno, acabado

parece que o tempo pára
tudo faz sentido
o momento torna-se um tempo eterno
completo, preenchido

Se percebe que a verdade é decorrente
dos participantes desse movimento do universo
sinta que tudo é tangível e transverso
não como um estado de espírito, mas um momento, um momento no tempo

onde o "todo" faz sentido, não há questionamento
só o "deixa estar" impera
e a transcendência da existencia
vira uma mera questão com resposta

Não subverta seus sentimentos
assim perderá o gosto de viver
e converta a angústia em força
fique em paz, deixe ser

Olhe para o esculpido mármore da sua história
Falta perceber pelo amor
Sinta a vida fluir e descubra o que é vitória
você tem tudo que precisas ter

José Augusto Sapienza Ramos (índice de posts de José)

terça-feira, abril 04, 2006

Ode à Raquel

Um momento e tudo se fez novo
Todos os revezes ficaram para trás
Toda a forma antiga já não é mais patente

Houve luz desde o momento inicial
Desde a menor desventura
Do detalhe, à parte relativa ao todo

Algo inusitado, inesperado
Um encontro ao acaso
Que de nada era acaso

Como se a espera de uma vida toda
O momento sublime ansiado
Se tornasse presente perante mim

Bem diante dos meus olhos!
Pude contemplar a doçura
Calma e tranquila da sua presença

"Serena como uma ovelha"
Como teu nome significa,
Enlevaste todo o meu ser!

Vivo! Como nunca me tornei
Atento a tua voz, escutei,
Um bradar de pura ternura!

Enterneceu-se-me o interior
Fui elevado aos altos céus
Pois tu me tocaste...

Como raro brilho de pedras escassas
Com o fulgor da Rocha Eterna
Pôs-se a todo o meu ser iluminar.


Alfredo Jordy (índice de posts de João)

segunda-feira, abril 03, 2006

Manual para o amigo caído inseguro

Na dinâmica da vida está a beleza
os milagres existem porque em tudo existe a incerteza
a incostância é que não deixa acomodar
então amigo, pare de reclamar e levante!

Pois o mesmo motivo que te dá insegurança
é que faz a vida de todos uma eterna mudança
pra melhor, ou pra pior. Então não importa, é simples!
Faça o que está em seu alcance
e viva, cada lance! Ela não vai te esperar!

Amigo, nem sempre a vida é boa
mas sempre te dá uma chance
Conhecimento de livros não te ajuda,
apenas tenha a experiência e o coração no olhar

Pare a busca de respostas para tudo,
elas nem sempre estão onde podemos sentí-las
agora, respire e volte a si, colha os cacos!
costure os trapos e volte a caminhar

e depois levante, viva, sinta!
lembre-se desse dia, meu amigo
para contar, rir e se orgulhar
ou para outro dia q você simplesmente voltar... a cair!

José Augusto Sapienza Ramos (índice de posts de José)

domingo, abril 02, 2006

Voar...


Acabou.

Não foi mais um, mas também se foi.
Poderia ter durado eternamente, mas mesmo assim ainda seria pouco.
Foi como um sopro de vida.
Senti a criança ainda guardada em meu peito e o adulto em minha consciência.
A transição talvez não me tenha deixado perceber tão qual era minha ignorância.
Procurar o irreal.
Talvez jamais encontraria.
Aquela onda que quebrou, nunca mais existirá.
E, junto com ela, se foi uma vida.
Agora, é outra.
Melhor? só o tempo dirá.
Talvez um pouco mais real por acreditar apenas no pó, no tangível.
Olharei apenas nos olhos.
Prefiro a frieza da solidão a insanidade do mundo.
Juro! não quero mais.
É provável que ainda tenha que lutar muito para alcançar essa vitória.
Mas, entendi. Sei onde tenho que chegar.
Durante anos procurei respostas. E, em apenas uma noite aprendi.
Mentes vazias, corpos frios e vista opaca.
Boca seca. Era a sede do saber. A frieza da dor.
Mas passou. Finalmente.
Era, agora é.
Ainda sinto o vento da madrugada, a chuva que lavou minhas lágrimas.
Foi bom. òtimo. Acaba-se assim a solidão acompanhada, o beijo metódico.
Caem-se as máscaras.
Encontrei, jogada num banco de praia, sozinha na escuridão da noite de domingo,
ouvindo Vinícius, a liberdade.
E ainda sinto seu perfume.

Heraldo Borges (ver índice de posts de Heraldo)

À Lívia, Saudosamente

Oh! Soberbo triunfar de uma despedida!
Insólitamente, a mim constrange
A querer mais um momento como este.

Repetir a romaria da partida,
Para uma vez mais perceber,
Me sentir tangido pelo zelo dos amigos.

Estes que me levantam agora como estandarte,
Bandeira de luta de um momento épico,
Onde o amor por esse tempo se faz descoberto.

Ah! Juventude do meu coração!
Por onde todos os caminhos posso pisar,
Sem ao menos precisar atentar.

O que há é instante, nem por isso basta.
Querer estar e pelo menos poder sonhar
O agora está diante de mim!

Posso fluir, planar, sentir!
Num rasante do tempo sigo o incessante,
Mas decerto, miro vendo, olho e percebo

Ausência sentida, um dos "ais" entranhados.
Porém eis que o triunfo deste um é maior!
Meu amor, deixado em cada ser que me despeço

Lívidamente aceno, com carta reluzente
Amparada pelo suspiro d´alma, incessante
Até que o tempo cure a escara da distância...

Prossigo!

Ansiando a reunião das hostes por mais uma vez
Entrego meu pendor às areias do tempo...
Escoando, até não mais sentí-las passar!


Alfredo Jordy (índice de posts de João)

sábado, abril 01, 2006

Frustração

Esconder as frustrações pessoais
em revoluções com seus líderes
e suas motivações transcendentais.

Fugir de verdades absolutas
e suas aberrações dogmáticas
atrás de um senso comum eufórico.

Senso, dissenso do outro.
aquele que te levará ao destino,
tal liberdade impensável e plausível.

Até que você se bate com estruturas,
super-egos megalomaníacos...
Seu pai que pichava o movimento dos sem cultura,
seu seriado favorito de TV americano,
seu boneco do Hambo,
sua mãe que não gostava de programa político,
sua cultura abarrancada demais para lhe permitir tal movimento.

Então você pensa: você pode passar por isso tudo...
Mas não, não foi isso que você fez,
fez melhor.
Seguiu sua vida a cuidar do coração
e dos desejos menores de um homem cidadão.

Estudou feito um louco,
Comeu feito um touro,
Transou feito um porco.
Fez seu pé-de-meia feito um burguês,
deixou de ler por gosto aos treze anos
e esqueceu que poderia criar algo muito antes disso.

Até que você se verá com trinta anos
e toda sua loucura juvenil vestindo terno e gravata,
sem força e se remoendo por dentro
por não conseguir fazer nada além de (re)produzir.
produzir bens, dinheiro, profissionalidade, filhos...
Para uma boa e bem vista empresa, família e sociedade.

E toda sua família se orgulhará de você,
os vizinhos terão inveja,
sua mulher só dará para você
e seu cachorro também só lamberá seus pés.
E perceberá que tudo que fez até agora foi querer tudo
da forma mais certinha e bem aceita.
Subindo nos outros,
mostrando essa masculinidade de machu que você tem.
Trabalhando muito.
Por que foi assim que todo mundo disse que fizesse.

Mas foi o que realmente quis?

Marcos Cortês (índice de posts do Marcos Côrtes)