sábado, abril 01, 2006

Frustração

Esconder as frustrações pessoais
em revoluções com seus líderes
e suas motivações transcendentais.

Fugir de verdades absolutas
e suas aberrações dogmáticas
atrás de um senso comum eufórico.

Senso, dissenso do outro.
aquele que te levará ao destino,
tal liberdade impensável e plausível.

Até que você se bate com estruturas,
super-egos megalomaníacos...
Seu pai que pichava o movimento dos sem cultura,
seu seriado favorito de TV americano,
seu boneco do Hambo,
sua mãe que não gostava de programa político,
sua cultura abarrancada demais para lhe permitir tal movimento.

Então você pensa: você pode passar por isso tudo...
Mas não, não foi isso que você fez,
fez melhor.
Seguiu sua vida a cuidar do coração
e dos desejos menores de um homem cidadão.

Estudou feito um louco,
Comeu feito um touro,
Transou feito um porco.
Fez seu pé-de-meia feito um burguês,
deixou de ler por gosto aos treze anos
e esqueceu que poderia criar algo muito antes disso.

Até que você se verá com trinta anos
e toda sua loucura juvenil vestindo terno e gravata,
sem força e se remoendo por dentro
por não conseguir fazer nada além de (re)produzir.
produzir bens, dinheiro, profissionalidade, filhos...
Para uma boa e bem vista empresa, família e sociedade.

E toda sua família se orgulhará de você,
os vizinhos terão inveja,
sua mulher só dará para você
e seu cachorro também só lamberá seus pés.
E perceberá que tudo que fez até agora foi querer tudo
da forma mais certinha e bem aceita.
Subindo nos outros,
mostrando essa masculinidade de machu que você tem.
Trabalhando muito.
Por que foi assim que todo mundo disse que fizesse.

Mas foi o que realmente quis?

Marcos Cortês (índice de posts do Marcos Côrtes)

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