sexta-feira, maio 05, 2006

Mulher moderna presa em pedras portuguesas

A/ C de um certo português
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Ela também foge das batidas do relógio
Ela corre para não perder a hora, o tempo, a magia do momento
Tudo é tão instantâneo e fugaz...

Seus pés vão adiante, sempre adiante,
como clama sua contemporaneidade
Mas seu sapato no ato insiste em ficar

Prende-se em pedras portuguesas do chão da rua que passa
Mas não pode seguir
Não pode seguir sem ele
Sem seu sapato cairia no ridículo no meio dos transeuntes
Mas por um instante adoraria o ridículo, o insensato, a aventura

E no instante seguinte volta e o pega,
liberta-o das pedras portuguesas que insistem em prender
Insistem em ficar no chão paradas
Inertes as pedras portuguesas

Não, ninguém irá pegar e entregar-lhe em mãos
Entregar seus sapatos, entregar-se a ela
As pedras são, e ela está, é passagem, é devir, é desejo
É ela mesma que volta e pega
Arranca-o das pedras, coloca em seu pés e segue...

Malditas pedras portuguesas!...

Daniela Macri 15/04/06 (índice de posts dos outros contribuidores)

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