domingo, março 25, 2007

Num mais um dia qualquer


Espiei curioso pelas duas janelas da face
Dentro da frágil casa de carne, ossos e já poucas vísceras
E assim vi um ego formoso de terno fino a mesa
Brindando com um tal de "Sr. Sucesso Moderno"
Levantando uma taça de sorriso tinto barato, escarrado...
O tim-tim das taças rimavam com gemidos do quarto escuro do ser
Onde a alma se prostituía fervorosa com a insanidade,
Produzindo sons que seduziam até o celibato do racional

Ao lado e em pé vi uma mulher frágil, esquecida e suja
Vagava pela casa com um olhar tenso, vazio e preocupado...
Era a identidade, estava cheia de "se"
e vazia de si,
Poderia ver-se num espelho que não reconheceria a si própria...
Queria encontrar a si apenas se fosse num lugar fora dela

Por fim percebi algo passando rápido e rasteiro,
Era a mente, que parecia estar com disenteria
Corria despejando fezes midificadas pela a casa...

(suspiro)
Isso tudo apenas com o rosto de frente para um espelho
Num mais um dia qualquer desses por aí...
Não é à toa que a auto-crítica é a mais odiada pela casa,
Nessa casa composta apenas de um cômodo... Eu, acomodado...

Augusto Sapienza (índice de posts de Augusto)

3 comentários:

Larissa Marques - LM@rq disse...

E quem não se espia, mesmo com olhos turvos, cehios de falsas impressões de si mesmo?

Leandro Jardim disse...

Beleza de poema
e fechado com chave de ouro!

abraço Jardineiro

Marcos Côrtes disse...

"O mito da refeição". Uma só que neste caso, a persona está degustando o ego.

Pessoas notáveis, a alma, está para a situação de forma inusitada: Está delirando e está vazia. Enche-se pela loucura, evazia-se de si. Uma alma criminosa, recriminadora. Não seria ela, o vazio do ser?


Boa sorte, neste mundo "bem sucedido", tome cuidado com que joga para trás, "o que passa pelo restrovisor é passado, é o inverso, já passou..."